O barco
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Nossa casa e nave, o FastBoat é um veleiro sloop de 39 pés (12,22m x 3,76). Projetado por German Frers e construído em fibra de vidro de acordo com as rígidas normas do Loyds em um dos estaleiros mais sólidos que há, o barco leva um mastro de 17,25 m da linha d’água.
O Fast Boat está equipado para travessias oceânicas, carrega quatrocentos e cinqüenta litros de água e trezentos e noventa e cinco litros de diesel. Com mar tranqüilo isso nos garante uma autonomia de setecentas milhas náuticas no motor, um Volvo Penta de 57 cavalos de potência.
Além da água que levamos nos tanques, podemos produzir água
no caminho com um desalinizador elétrico que pode produzir até doze litros de água por hora. É claro que para isso é preciso energia elétrica que produzimos ou com o motor girando o alternador ou
então com um gerador a diesel que temos a bordo. Energia mais limpa conseguimos com um gerador de vento, que ainda não supre todas nossas necessidades.
Nossos mais importantes instrumentos de navegação
são a velha bússola, e as cartas náuticas em papel. Gostamos muito da tecnologia, mas nos agrada saber que podemos nos virar sem ela, assim, o Santa Paz tem boa parte dos modernos instrumentos de navegação e cartas eletrônicas, mas a tripulação ainda usa os meios antigos e está se empenhando em aprender a navegar pelas estrelas. Um radar nos ajuda muito nas noites de pouca visibilidade e garante um sono tranqüilo para quem não está de vigia. Dois aparelhos de GPS confirmam as posições que tomamos com a alidade e nos nossos exercícios celestes.
O Fast Boat ainda tem um conjunto de navegação que inclui um medidor de profundidade, um velocímetro e uma estação de vento que informa a velocidade do vento e a direção de onde ele vem. Ah sim! Também temos dois pilotos automáticos, nossos fiéis tripulantes. Sem eles não seria possível navegar sem mais tripulação a bordo. Um é elétrico e apesar de ser muito preciso consome bastante energia, portanto não é uma boa opção para longas travessias, o outro é um piloto de vento, com funcionamento todo mecânico, ou seja não consome nada de energia, a diferença é que este sistema coloca o barco num ângulo constante do vento e não em um rumo específico como o sistema elétrico.
Usamos um notebook para rodar o programa
com as cartas náuticas eletrônicas que conectado ao GPS mostra na tela o ponto onde estamos e todos os dados de navegação. Um inversor de energia transforma os 12 volts das baterias do Santa Paz para os 220 volts usados pelo computador. Temos duas baterias de 210 Amph cada uma para os instrumentos e utensílios de bordo e uma terceira bateria dedicada ao motor. Um aparelinho chamado Navtex nos ajuda a acompanhar a meteorologia e os avisos aos navegantes. Ele traz textos com a previsão do tempo e avisos de perigos a navegação ou ausências de bóias de marcação importantes. A condição de tempo local, acompanhamos com um bom e velho conjunto de barômetro, termômetro e higrômetro.
Para nos comunicar levamos dois bons velhos rádios VHF e um rádio SSB de longo alcance, com este último também podemos receber mapas de pressão na forma de fax e email. Há duas formas de acessar a Internet a bordo, longe da costa somos capazes de receber textos curtos de e-mail via rádio e próximos a costa usamos uma placa de telefonia celular que permite navegar na Web em alta velocidade.
O Fast Boat tem duas cabines, uma na proa, onde
dorme a Clara e uma na Popa, onde ficamos nós dois. Durante as travessias, dormimos todos no salão central, que é o local que menos balança no barco e portanto onde melhor se dorme. Temos um só banheiro e se ele quebra o negócio é usar um balde, mas graças a Deus, isso ainda não aconteceu.
O banho no Fast Boat é bem confortável, dá para ficar de pé e tudo e a água é quentinha, graças a um belo aquecedor elétrico, que leva água tanto para o chuveiro e cozinha quanto para o deck. Temos uma cozinha bem pequena de onde saem algumas delícias culinárias de Dona Sandra e uma ou outra aventura de seu fiel escudeiro aqui. Nossa geladeira é bem pequena, um buraco do lado da pia, mas bem eficiente, faz até umas pedrinhas de gelo para tomar um uisquinho. Nosso forninho tartaruga é lento, mas tempo é tudo que nós temos e nas duas bocas do fogão treinamos a paciência de quem cozinha. Medimos a dedicação do cozinheiro pela quantidade de panelas, qualquer refeição com mais de duas é considerada um banquete.
A música de bordo, quando não é de criança, é brasileira, o que nos leva de volta para a terrinha num piscar de olhos.